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domingo, 23 de maio de 2010

MINHA ULTIMA PITADA DE FÉ



Escrito pela blogueira cubana - YOANI SANCHEZ, a mulher mais perseguida daquele país.

Para Dania Virgen García

O ambiente de submissão foi uma vez um velho cárcere de paredes grossas, como na fortaleza de La Cabaña na baía de Havana. Uma prisão que havia sido antes um quartel militar, porque tanto os soldados como os reclusos sofrem de impedimentos semelhantes para se comportarem como seres livres. Uns e outros estão submetidos por algum grilhão, seja imposto por uma sanção penal ou pelo poder dos seus sargentos e comandantes. Não seria de se estranhar que José Martí ao invés de escrever “Um povo não se guia, General, como se manda num acampamento”, houvese feito o mesmo em relação a um presídio onde o cidadão está a mercê dos seu guardiões, sob a sombra dos seus carcereiros.

Agora também temos prisões modernas, com a mesma arquitetura dos (cursos) pré-unversitários no campo e apesar disso, com atavismos similares nos seus métodos de subjugamento. Não exibem grades grossas, mas sim tenentes que reduzem a autoestima, doutores que não estão quando se precisa deles e a pressão de uma doutrina que culpa o réu por não se haver deixado converter num “homem novo”. Em muitos cárceres cubanos tenta-se tirar da pessoa o respeito por si mesma. Daí que esta deva conviver com as suas excrecencias e compartilhar a dos seus companheiros de cela. As paredes da prisão de mulheres de Manto Negro - por exemplo - estão salpicadas de lágrimas, sangue, fluidos e saliva, também existem nomes e datas, conjuros, ameaças e promessas.

Os ladrilhos de ambos os cárceres - o antigo e o moderno - tem sido situados de forma que a liberdade não se infiltre através deles, para que nenhuma rachadura deixe passar um gramo de otimismo. Os construtores as fizeram a partir de suas próprias fobias, potencializando tudo aquilo que lhes produziria pavor. A sordidez de um cárcere é a cara pervertida da justiça e os que, em nosso país, erigiram e mantem certos presídios sombrios, estão confessando que temem o ser humano.



Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

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