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sábado, 13 de fevereiro de 2010

NÃO É BRINQUEDO NÃO


Cara!
A coisa é séria. E feia. E bota "feia" nisto. Foi ontem quando tive em Cacoal. Resolvi visitar um amigo que infelizmente está preso. Os muros imensos em radical contraste com o entorno de residências. A edificação do presídio é de uma arquitetura triste. Creio que todas são mais ou menos iguais - tristes. Muros altos, quaritas, sentinelas, armas, burburinho, portões de ferro, enquanto fora as crianças brincam e o sol é tão livre. Até os pombos não pousam no seu telhado. Um toque na campainha e uma janelinha se abriu. Uma banda da face, um olho imenso nos fotografou do lado de fora. Apenas três tiveram acesso ao interior. Daí a pouco lá vem ele. Ainda longe, uma porta rangeu, homem magro, cabeludo, de bermudas, cabeça sobre dorso das mãos, inclinado ao muro, uma "busca" no corpo feita pelo carcereiro. O homem ali, ainda indescritível, sendo apalmado do pescoço aos joelhos. Desceu a escadaria de cimento, algemas nos punhos, cabeça baixa. Reconheci-o de perto, apenas. Não é o mesmo. Não é. Pálido, sem brilho, sem risos, sem assuntos. Chorou. Eu também me engasguei na emoção.Um ano e pouco confinado, sem decisão da justiça e uma rotina de 20 metros quadrados na companhia de outros 17 prisioneiros. Pouco mais de 1 metro quadrado para cada um. Se fosse por um dia já seria dificil. No banheiro dormem quatro outros encolhidos e sentados. Uma masmorra. Tal qual os porões dos navios negreiros. As prisões subterrâneas da maldita Inquisição. Oh! bendita liberdade, que tanto tenho e não valorizo! O banho intímo, o uso da vaso sanitário reservado, o encontro na rua, o vento na face, enquanto o dia passa.  Oh! liberdade que a tenho de graça, que tanto a vejo e ela passa, que nada me custa e se não cuido dela, a minha vida se acaba. Abracei o amigo, engasguei de novo, segurei a lágrima, ela queria sair, não deixei, ela ficou presa na fala, ficou presa na cela. Ficou presa no meu peito. Enquanto ao sair de lá pensei - será que uma prisão assim, deste jeito, ressocilizará alguém? Será?

Um comentário:

EDUARDO ABREU disse...

Confúcio, confesso que viajei das suas palavras, poucas mas verdeiras, sinceras... Me emocionei desde a primeira linha até a última. Eu que cresci em Ariquemes, quando fico sabendo que um colega de escola está ou estava preso, percebo o quanto é valioso a liberdade e os princípios que aprendi com minha família. Nunca visitei um amigo preso, será medo? preconceito? ainda não sei... vou tentar seguir seu gesto daqui pra frente, ainda não sei ao certo...