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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Os Velhos Seringueiros



Quando cheguei à Ariquemes ainda existiam seringueiros. Eles moravam em suas colocações com suas famílias. Natália sempre saiu do seu canto às margens do alto Jamari e vinha por terra fazer compras na Vila. Chico Otávio descia do Seringal Santa Cruz por água. Chico Nelson e uma família enorme vinham do Bom Jardim e Massangana. Antônio, Elói e outros trabalhavam na Cajazeira. Honório era noteiro, como se fosse um contabilista dos marreteiros de borracha. Uma caligrafia lindíssima. Pareciam letras góticas. Arte pura. Manoel Ruiz e Cícero Cabeça de Pato eram compradores. E por aí vai. Eles tinham uma liturgia no negócio, o marreteiro passava no seringal, com a mercadoria, entregava-a em troca de da borracha. O seringueiro sempre vivia devendo. O saldo positivo era difícil de ser zerado. Vida dura, madrugada pé na estrada, um simples varador na mata, com porunga à cabeça atada ao queixo, facão à cintura, lamina de ponta curva para o corte anatômico no caule, a cuia, o ritmo sem pressa na madrugada úmida, a natureza, a coragem, a vida atada ao látex. E se entendiam muito bem. Alguns ainda estão por aí, os velhos, raros e a descendência hoje não se identifica mais com a verdadeira origem – serem ambientalistas por vocação natural.

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